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Sono REM: o cérebro em atividade durante o descanso

Sono REM

Dormir é uma necessidade humana. O sono é um processo natural de redução da consciência e das atividades corporais para a recuperação de energia e a regulação de funções vitais do organismo.

Os ciclos do sono são designados pela sigla REM, que significa Rapid Eye Movement (movimento rápido dos olhos), e são divididos em fases:

Sono não-REM

Estágio 1 – adormecimento

Há uma transição entre estar acordado e dormindo. Os músculos relaxam, os movimentos dos olhos ficam lentos, a frequência cardíaca começa a diminuir e a respiração fica mais leve. As ondas cerebrais começam a diminuir.

Estágio 2 –  sono leve

Os batimentos cardíacos e a respiração diminuem, os músculos relaxam ainda mais, a temperatura do corpo cai e os movimentos dos olhos param. A atividade das ondas cerebrais diminui, se desconectando de estímulos externos. 

Estágio 3 – sono profundo

Os batimentos cardíacos e a respiração diminuem para os níveis mais baixos. Os músculos ficam bem relaxados e as ondas cerebrais ficam muito lentas.

Sono REM

Atividade cerebral

Os olhos se movem rapidamente de um lado para o outro por trás das pálpebras fechadas. A atividade das ondas cerebrais de frequência mista se torna mais próxima da observada quando estamos acordados. A respiração fica mais rápida e irregular, e a frequência cardíaca e a pressão arterial aumentam. 

Quando estamos dormindo, percorremos os estágios do sono REM e não-REM várias vezes. Normalmente, o sono REM ocorre pela primeira vez cerca de 90 minutos após o adormecer. Durante uma noite típica de descanso, os períodos REM vão se tornando cada vez mais longos e profundos. 

Para que o descanso noturno seja reparador, o ideal é que todas as etapas do sono sejam percorridas.

“Em geral, a gente precisa fazer entre cinco e seis ciclos de sono REM e NÃO-REM para ter uma boa noite de sono, com qualidade”, afirma o médico Vinícius Ynoe de Moraes, da comunidade de saúde da Alice. 

Por que o sono REM é importante?

O estágio de sono REM é também conhecido como “sono paradoxal” ou “sono dessincronizado”, devido às semelhanças fisiológicas com os períodos em que estamos acordados. 

É durante o sono REM que sonhamos. Os músculos do braço e da perna ficam temporariamente paralisados, enquanto o cérebro permanece ativo.

Cientistas acreditam que essa ausência de movimentos musculares trouxe benefícios evolutivos, pois nos impede de representar os sonhos, evitando danos ao corpo e a outras pessoas. 

Nessa fase, o cérebro faz conexões neurais importantes para o bem-estar e a saúde física e mental.

Entre as funções atribuídas ao sono REM estão a manutenção do equilíbrio dos sistemas biológicos (homeostase) e a estimulação de áreas essenciais para a aprendizagem.

“Nessa fase do sono, existem alterações nas estruturas cerebrais que são muito importantes para funções cognitivas como, por exemplo, o armazenamento de informações”, acrescenta o médico Vinícius Ynoe de Moraes. 

Alguns estudos sugerem que a privação do sono REM prejudica a formação ou expressão de memórias espaciais e emocionais. Por isso, é muito importante que as crianças durmam bastante, de forma a permanecerem bastante tempo nesse estágio de sono para propiciar o desenvolvimento cerebral e a fixação do aprendizado diário. 

Como a qualidade do sono REM pode afetar a saúde

Entender em profundidade como o cérebro se comporta na fase REM ainda é um desafio para a Ciência, mas o avanço de pesquisas nesse campo pode ajudar na prevenção de problemas de saúde.

Um deles é o transtorno comportamental do sono REM. Ele se manifesta por meio de movimentos súbitos e sons vocais emitidos durante sonhos vívidos. Essa reação física foi associada a uma perda do tônus muscular durante essa etapa do sono. 

Diversos estudos relacionaram o transtorno a doenças neurodegenerativas, como o Parkinson.  “Pacientes com transtorno comportamental do sono REM devem ser monitorados de perto quanto ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, pois a detecção precoce e o tratamento sintomático podem melhorar seu resultado em longo prazo”, afirmam os autores de pesquisa publicada na revista Nature.

Também existem evidências científicas de que os períodos de sono REM vão diminuindo conforme vamos envelhecendo. Compreender como isso afeta o armazenamento da memória também pode abrir caminhos para a prevenção e o tratamento do Alzheimer.

Outro problema de saúde que pode ter relação com o sono REM é o transtorno de estresse pós-traumático. 

Uma pesquisa publicada no Journal of Neuroscience descobriu que os participantes que passaram mais tempo em sono REM tiveram menor atividade cerebral relacionada ao medo, um possível indício de menor propensão ao desenvolvimento de estresse pós-traumático. 

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