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Veja como deve ser a estação de trabalho ideal para a saúde

A qualidade das estações de trabalho ganhou mais relevância durante a pandemia da covid-19. Muitas pessoas tiveram de improvisar um espaço para trabalhar em casa e constataram a importância de um bom mobiliário e de equipamentos ajustados para evitar dores e incômodos ao final do dia.

Seja no escritório ou no home office, adotar padrões ergonômicos é essencial para preservar a saúde de quem fica horas trabalhando em frente ao computador.

Ergonomia: o que é?

A ergonomia é a ciência aplicada à interação entre os seres humanos e os objetos. Aplicá-la significa projetar máquinas e formas de utilização de forma a maximizar a produtividade e reduzindo o desconforto do operador. 

“Simplificando, a ergonomia é a ciência de projetar o trabalho para se adequar ao trabalhador, em vez de forçar fisicamente o trabalhador a se adequar ao trabalho”, resumem pesquisadores da Universidade de Harvard

Esse campo da ciência também compreende o estudo de atividades físicas de menor esforço. Quando realizados de forma repetitiva e sem as condições de segurança necessárias, esses movimentos podem causar distúrbios osteomusculares. 

Tendinites em regiões como ombro, cotovelo e punho, além de dores musculares e na região lombar da coluna são os problemas decorrentes do trabalho mais comuns, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia.  

Como aplicar a ergonomia à estação de trabalho

Uma estação de trabalho ergonômica compreende mobiliário e equipamentos ajustáveis, além de objetos de apoio. Cuidados com a iluminação também são importantes.

Confira algumas dicas, com base na norma brasileira sobre ergonomia no trabalho (NR-17) e nas recomendações do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos:

Cadeira

Deve contar com assento ajustável. Assim, a pessoa que vai utilizar pode adequá-lo à altura que permita manter os dois pés no chão. O encosto deve oferecer apoio para a região lombar, mantendo a curvatura natural da coluna.    

Mesa

A altura e a largura devem possibilitar que os antebraços se apoiem e se movimentem livremente. A área de trabalho da mesa deve ter espaço suficiente para que os pulsos possam ficar retos na direção do teclado. É muito importante que o conjunto de mesa e cadeira permita que joelhos, quadris e cotovelos formem ângulos de 90 graus quando o utilizador estiver sentado trabalhando.

Monitor

Deve ser posicionado de frente para a cadeira, com o topo na altura dos olhos, de modo que não seja necessário dobrar ou torcer o pescoço. Em tipos não ajustáveis, podem ser colocados suportes na parte inferior para elevar a tela. A distância entre o monitor e os olhos varia, dependendo do tipo e do tamanho do equipamento. 

Teclado

O teclado deve ficar posicionado sobre a mesa, entre a tela e a cadeira, com espaço à frente do acessório para que os antebraços e pulsos fiquem apoiados ao digitar.  No caso de laptops, um teclado extra ou uma segunda tela podem ajudar a manter o conjunto ajustado. 

Mouse

Deve ficar próximo e na mesma altura do teclado. Há vários modelos (sem fio, retráteis, com esfera). O mais importante é que tenham sido ergonomicamente projetados. Mouses com botão de rolagem, por exemplo, facilitam a movimentação do cursor na tela.

Acessórios

Para aumentar o conforto do pulso ao utilizar o mouse, pode ser utilizado um mousepad com apoio em gel para o punho. Pessoas muito baixas podem sentir necessidade de um suporte para apoiar os pés. 

Iluminação

Para maior conforto, é importante que a estação de trabalho esteja posicionada em local com boa iluminação. O ideal é que, na frente e atrás do monitor, não haja nenhuma janela de modo a impedir reflexos, sombras ou ofuscamentos na tela do computador. 

Postura e pausas durante o trabalho

Um estudo que avaliou cerca de 40 estações de trabalho em escritórios tradicionais evidenciou os possíveis efeitos na saúde de deficiências nas instalações e práticas inadequadas de uso. 

Além de cadeiras não ajustáveis (45%) e computadores voltados para janelas (40%), foram observadas posturas em que funcionários trabalhavam com as costas curvadas (45%).

Os principais problemas relacionados às horas de trabalho em frente ao computador foram fadiga ocular (58%), dor no ombro (45%), dor nas costas (43%), dor no braço (35%), dor no punho (30%) e dor no pescoço (30%). 

Esses resultados, segundo os pesquisadores, chamam a atenção para a necessidade de adoção de estratégias capazes de tornar o local de trabalho mais seguro. 

O preparador físico Leo Fukuda, do Time de Saúde da Alice, enfatiza que a adequação da estação de trabalho a padrões ergonômicos é muito relevante, mas não impede que as dores apareçam. 

“Toda dor vem da soma de fatores biopsicossociais. Ou seja, além dos elementos mecânicos, fatores como o estresse, sono de baixa qualidade, relações interpessoais e felicidade no trabalho podem influenciar na percepção de dor”, afirma.

Os ajustes entre tela, mesa e cadeira, segundo ele, são para propiciar conforto, mas não se recomenda uma postura rígida enquanto se trabalha. 

“Quando a gente fica se cobrando em adotar a postura ‘perfeita’ [com a coluna ereta, por exemplo], começamos um processo de hipervigília que aumenta ainda mais essa sensibilidade. Percebe por que toda vez que você está desconfortável no trabalho começa um ciclo infinito de mudar de posição, espreguiçar, endireitar a postura repetitivamente e a dor parece só aumentar?”, questiona. 

O profissional ensina que, para evitar dores durante a rotina de trabalho, é necessário alternar posições, incluindo posturas mais confortáveis. Além disso, para evitar o cansaço e a sobrecarga, é necessário fazer pausas. 

“Isso descomprime nosso estresse e traz a consciência de volta para o nosso corpo, como se fosse uma revisão periódica, além de aumentar o rendimento laboral. A postura ‘ideal’ não é essencial para esse conforto e muitas vezes até piora”, alerta.

Além disso, estar fisicamente ativo, praticando especialmente exercícios resistidos (musculação, pilates, funcional, crossfit ou hidroginástica), é fundamental para garantir sustentação ao corpo durante as horas trabalhadas.

Aprenda a fazer alguns exercícios de descompressão durante a jornada de trabalho no vídeo abaixo, produzido pelo Time de Saúde da Alice:


Porque plano de saúde já não é mais suficiente.

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