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Emily em Paris e suas lições sobre felicidade no trabalho

A sinopse diz o seguinte: “Emily Cooper consegue o trabalho dos sonhos em Paris. Agora, ela precisa administrar a carreira, os amigos e o amor na Cidade Luz”.

Se você já assistiu à série Emily em Paris, disponível na Netflix, sabe que a vida da personagem principal na capital da França não é sempre tão encantadora como a descrição sugere.

Se ainda não viu, aí vão alguns spoilers: a mocinha (interpretada por Lily Collins) passa por várias situações embaraçosas, principalmente ao descobrir que o jeito francês de trabalhar é muito diferente do modelo ao qual estava acostumada em Chicago, nos Estados Unidos. 

Os contrastes de culturas também incluem o modo de se vestir, os hábitos alimentares, as relações amorosas e as preferências sexuais. 

A série levantou debates devido aos inúmeros clichês apresentados. Os franceses são os mais críticos à forma estereotipada como alguns personagens foram retratados. 

Exageros e generalizações à parte, dessa divertida comédia romântica é possível extrair lições sobre carreira, relações humanas no ambiente de trabalho e, principalmente, sobre a importância do equilíbrio entre vida pessoal e profissional na busca pela felicidade.

1 – Oportunidades inesperadas

A série começa com a protagonista diante de uma grande oportunidade profissional: assumir o posto que estava destinado à chefe dela em Paris. 

Depois de descobrir que estava grávida, a gerente desiste da transferência, abrindo caminho para sua jovem assistente.  

A inesperada chance de viver uma temporada na capital francesa, contudo, não é mero acaso para Emily. Ela tem as competências necessárias para alavancar as redes sociais das marcas de luxo geridas pela agência francesa de marketing recém-adquirida.

Você já parou para pensar nas oportunidades de crescimento que a empresa em que trabalha pode oferecer? Quais habilidades seriam necessárias para assumir postos mais altos, com novas responsabilidades e desafios? Como desenvolvê-las?

No caso de Emily, além de ter mestrado em marketing e experiência em gestão de redes sociais, ela demonstrou ter inteligência emocional, persistência e muita criatividade! 

Mas poderia ter evitado muitos problemas de comunicação se fosse fluente em uma segunda língua –no caso da série, o francês.

2 – Mudanças no trabalho podem despertar nossos medos

Enquanto para uns as mudanças no trabalho são vistas como oportunidades de aprendizado e crescimento, para outros podem ser motivo de resistência. 

Um novo chefe, uma nova frente de trabalho ou até um novo sistema operacional despertam temores, nem sempre percebidos.  

Na série, Emily enfrenta a rejeição dos colegas franceses. Com o desenrolar da trama, fica claro que a chegada da norte-americana intimida os parceiros de trabalho. 

Eles têm medo de estarem sendo avaliados pela colega por ordem do grupo estrangeiro que adquiriu a agência, de terem que trabalhar mais e até de não conseguirem apresentar ideias tão boas quanto as dela para os clientes. 

Fato é que mudanças de rumo ou ajustes nos procedimentos de trabalho são inevitáveis no mundo corporativo. Ter consciência disso já é um primeiro passo para encarar as novidades de maneira assertiva. 

Uma boa conversa pode ser suficiente para a empresa explicar o que espera de seus funcionários com uma nova proposta e esclarecer dúvidas, reduzindo inquietações.  

Além da transparência, capacitação e motivação ajudam na gestão da mudança. Mostrar as vantagens de uma nova tecnologia ou da vinda de um novo profissional é um dos caminhos para unir o time em torno dos objetivos que se espera alcançar. 

3 – Viver para trabalhar ou trabalhar para viver?

Logo no primeiro episódio, um dos temas centrais da série ganha destaque: qual é o papel do trabalho na nossa busca pela felicidade

O modelo norte-americano de longas jornadas, com horas extras madrugada adentro e retorno ao escritório logo no início da manhã, é criticado pelos franceses, que valorizam o tempo livre. 

O respeito ao descanso e a rígida separação entre horário de trabalho e períodos para atividades particulares estão assegurados, inclusive, na legislação trabalhista da França.

Emily se surpreende com restrições à realização de solicitações profissionais aos finais de semana ou com a impossibilidade de falar de trabalho em uma festa ou outro evento social. 

Independentemente do país onde o serviço é prestado, não há dúvidas de que trabalhar freneticamente pode comprometer a saúde, as relações familiares e as amizades. 

O ideal é encontrar um meio-termo, buscar o equilíbrio. Nem 8 nem 80.

Ao ouvir que os norte-americanos “vivem para trabalhar” com o objetivo de ganhar mais e mais dinheiro, Emily avalia que trabalha não apenas pela remuneração, mas por realmente gostar do que faz e pela satisfação que sente com os projetos realizados. 

Por outro lado, ela se mostra empática ao posicionamento do colega francês que prefere “trabalhar para viver”. Para ele, a vida oferece experiências e momentos a serem desfrutados fora do escritório. E o trabalho, sob esse ponto de vista, não é o principal fator de felicidade. 

A importância que a carreira profissional tem para a realização pessoal depende de cada indivíduo. 

A série mostra que, a partir dessa reflexão, a protagonista passa a dedicar grande parte do seu tempo livre aos amigos, ao lazer e à prática de atividade física, conforme o estilo francês. 

Ela não deixa, porém, de batalhar pelo sucesso dos projetos profissionais pelos quais é responsável –mesmo que, de vez em quando, seja necessário acionar os colegas fora do horário de expediente.   

4 –  Conflito de gerações

A série gira em torno das contradições entre os estilos de vida francês e o norte-americano, mas, em segundo plano, trata do conflito de gerações. 

Os embates entre a personagem jovem recém-chegada e os trabalhadores mais velhos da agência de marketing ocorrem principalmente quando se trata das estratégias de divulgação em redes sociais. 

Mas, ao longo da trama, os mais experientes percebem que ter diversidade na equipe pode ser um fator competitivo para a empresa. Não só para inovar, mas também para atingir diferentes públicos. 

Ao discutirem o lançamento de um perfume sofisticado, por exemplo, a gerente francesa geração X (dos nascidos entre 1960 e 1979) defende uma divulgação direcionada aos clientes de elite que compram o produto, por meio de eventos exclusivos.

A protagonista, da geração Y (nascidos entre 1980 e 1994), oferece outra perspectiva, sugerindo uma campanha publicitária ampla com o objetivo de encantar aqueles que nunca tiveram acesso ao luxo, mas sonham com ele. 

As duas propostas são levadas adiante, contribuindo para ampliar a visibilidade da marca de perfume, uma das atribuições principais da agência. 

Com a grande repercussão das ações, a empresa de marketing também ganha projeção e mais relevância diante das concorrentes de mercado.

5 – Suas redes pessoais podem interferir na vida profissional

Quem não conhece uma pessoa que “se queimou” na empresa ou até perdeu o emprego por causa de postagens feitas em suas redes sociais particulares?

No caso de Emily, ela comete algumas gafes, como postar no Instagram fotos e vídeos elogiando produtos de uma empresa que não é mais assessorada pela agência de marketing, o que desperta a ira de sua chefe. 

Esse é um exemplo de como as redes pessoais podem afetar a vida profissional se não forem usadas com bom senso. 

O conteúdo que publicamos contribui para a construção da nossa imagem. As postagens ajudam as outras pessoas a formarem um conceito sobre nós, o que ocorre, na maioria das vezes, sem separação entre aspectos ligados à personalidade e ao trabalho. 

Ao compartilharmos opiniões e preferências, mostramos também quais são nossos valores e visão de mundo. 

Comentários preconceituosos, fotos polêmicas ou até um texto cheio de erros gramaticais podem afetar nossa reputação.  

Em geral, as empresas não querem que o comportamento de seus funcionários seja associado à marca organizacional. Para prevenir crises de imagem, algumas companhias capacitam as equipes em comunicação interpessoal ou estabelecem códigos de conduta.

Também é comum os recrutadores avaliarem perfis nas redes sociais ao escolherem candidatos para vagas de emprego. 

E não é só o LinkedIn, criado justamente com o objetivo de conectar pessoas com fins profissionais. Perfis no Instagram, Facebook e Twitter não escapam de uma olhadinha, principalmente se estiverem com configuração pública. 

Mais uma vez, a dica é ter equilíbrio, evitando atitudes impensadas nas redes. 

E por que não usá-las para aumentar a nossa credibilidade e valorizar nossas competências? 

No LinkedIn, o foco está na divulgação da formação acadêmica, habilidades e experiência profissional. Podemos usar essa e outras redes para também compartilhar conteúdos que evidenciem nossos valores, hobbies e ações de envolvimento social. 

Mas é preciso fazer isso com honestidade, como Emily nos ensina na série. Originalidade e humor na medida certa também podem deixar as postagens interessantes. 

Para sermos justos com a personagem, vale registrar que, apesar de alguns lapsos, ela é craque em usar tanto o perfil pessoal quanto os dos clientes para iniciar diálogos públicos relevantes e promover engajamento nas redes.  

6 – As soluções podem estar no dia a dia

Por fim, a série Emily em Paris nos mostra que muitas ideias ou soluções para problemas no trabalho podem estar diante dos nossos olhos, em situações do dia a dia.  

Após ver amigas sacudindo e desperdiçando champanhe em uma despedida de solteira, por exemplo, ela tem a ideia de sugerir a uma cliente destinar a produção excedente dessa bebida a um novo rótulo, para ser vendido apenas como spray em comemorações. 

Em outro episódio, após visitar uma exposição com a obra “Noite Estrelada”, de Van Gogh,  a protagonista propõe uma ação promocional no meio da rua, em que as pessoas podem se deitar sobre o colchão que está sendo lançado para admirar o céu. 

Visitar exposições, ler um bom livro ou assistir a filmes e séries são algumas maneiras prazerosas de relaxar e, ao mesmo tempo, aprender. 

Também são excelentes fontes de inspiração! Tanto que a série Emily em Paris nos inspirou a elaborar este texto, sob a ótica da felicidade no trabalho.


Porque plano de saúde já não é mais suficiente.

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