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Como medir a felicidade e o bem-estar no trabalho?

Você é feliz no trabalho? Para uma resposta sincera, a tendência é a gente considerar várias questões: salário, oportunidades de crescimento, relação com os colegas, com o chefe, carga de trabalho… 

São tantas variáveis que uma pergunta como essa nem sempre recebe um “sim” ou “não” de forma automática. 

Além dos elementos práticos do cotidiano profissional, há ainda aspectos subjetivos de cada pessoa, o que torna a avaliação ainda mais complexa. 

Combinar a perspectiva individual com as características do ambiente é o principal desafio de pesquisadores que tentam encontrar maneiras de medir o nível de felicidade no trabalho

Embora não exista fórmula ou método capaz de fazer a análise com precisão, os estudos sinalizam o que deve ser levado em conta.

Emoções positivas no cotidiano profissional

As circunstâncias que fazem uma pessoa se sentir feliz no trabalho despertam interesse no mundo acadêmico e científico há bastante tempo, mas o tema ganhou impulso com o surgimento da Psicologia Positiva, movimento que, desde a década de 1990, tem como foco as emoções e as relações humanas. 

Por essa perspectiva, a satisfação com o trabalho estaria relacionada a uma maior vivência de emoções positivas do que negativas no cotidiano profissional. 

Ao longo dos anos, diversos pesquisadores fizeram vários recortes para analisar como alguns fatores, isoladamente ou em grupo, contribuem para isso. 

Destacam-se aspectos individuais (herança genética, inteligência, traços da personalidade, origem, significado do trabalho), da organização (remuneração, benefícios, estrutura física, carga de trabalho, cultura, relacionamentos) e do trabalho em si (autonomia, tipo de atividade, feedbacks, supervisão do líder). 

Uma das principais revisões científicas sobre o assunto propõe que sejam considerados quatro pontos essenciais: o ambiente de trabalho, as características pessoais, as interações que ocorrem no dia a dia e a predisposição individual à felicidade.

“Em todos os níveis, há evidências de que a felicidade tem consequências importantes tanto para os indivíduos quanto para as organizações. Pesquisas anteriores tendiam a subestimar a importância da felicidade no trabalho”, frisa Cynthia Fischer, autora do estudo, que é frequentemente citado como referência.

A importância das lideranças na felicidade do time

Pesquisadores da Universidade de Valência, na Espanha, propõem uma escala de felicidade que também inclua a avaliação dos efeitos das lideranças e da capacidade organizacional de aprendizado.

Sob essa ótica, os chamados líderes transformacionais contribuiriam mais para a felicidade no trabalho, porque são profissionais que buscam desenvolver o potencial dos membros da equipe, criando um ambiente propício ao crescimento e à inovação. 

Uma tese de doutorado recente também destacou o comportamento individual e das chefias como cruciais. O estudo brasileiro envolveu entrevistas com gerentes que se encontravam em posição média na hierarquia das empresas, sofrendo pressões tanto dos superiores quanto das equipes abaixo deles. 

Algumas das principais conclusões são: os fatores individuais têm impacto considerável na felicidade no trabalho; o supervisor direto tem um papel fundamental na felicidade do time; e o relacionamento com os colegas e o clima organizacional são o que mais diferenciam experiências negativas e positivas no trabalho. 

“A relevância de características individuais sobre como as pessoas estão felizes no trabalho é central, significando que os indivíduos têm a responsabilidade primária e o poder de ação sobre sua própria felicidade em trabalhar”, frisa Gisela Sender, autora da tese. 

Avaliação de satisfação nas empresas

No mercado de trabalho, as avaliações ganham outros indicadores e métricas. O levantamento mais tradicional é a pesquisa de clima, que tem como objetivo descobrir como o ambiente de trabalho é visto pelos colaboradores. 

Pensando na cultura que desejam estabelecer ou fortalecer, muitas empresas alinham as perguntas aos valores e aos princípios da organização. Normalmente feita de forma online e anônima, a pesquisa gera dados tabulados, que sinalizam pontos fortes e oportunidades de melhoria. 

Um bom clima seria refletido na pesquisa com notas positivas ou manifestações de satisfação, motivação e colaboração. Já um clima ruim seria permeado por reclamações, desinteresse, apatia e até estados depressivos.

Outra metodologia bastante usada é o Net Promoter Score (NPS). Também utilizado para medir a satisfação dos clientes, esse tipo de levantamento consiste em uma pergunta única e simples: “Em uma escala de 0 a 10, qual a probabilidade de você recomendar nossa empresa para um colega ou amigo?”

O NPS costuma ser alinhado à pesquisa de clima, ao final de ciclos de avaliações dos funcionários. Podem ser adicionadas outras duas perguntas semelhantes para saber se os colaboradores recomendariam os líderes da organização e os produtos desenvolvidos. 

Existem ainda diversos softwares capazes de produzir pesquisas customizadas para questões ou públicos internos específicos {Opinion Box e Zonka Feedback são dois exemplos}. As ferramentas são muito úteis na realização de pesquisas de engajamento, por exemplo, que costumam ser realizadas com mais frequência e com menos perguntas. 

Fora do campo formal de questionários e percentuais, um ponto de partida para as lideranças sentirem a satisfação do time de forma mais direta é se colocarem abertas para ouvir e dar feedbacks. O ideal é que seja oferecido um ambiente seguro para a conversa, de modo que cada um consiga se expressar de maneira franca e autêntica, sem respostas forçadas.  

Ao atribuir novas tarefas ao time, o gestor também pode obter sinais de como andam a satisfação e a motivação dos colaboradores. Com check-ins regulares, dá para identificar dificuldades ao longo do processo e oportunidades de melhoria ou inovação. 

Avaliação individual da satisfação com o trabalho

Algumas empresas também dão oportunidade para o colaborador se autoavaliar e indicar como classifica o próprio desempenho em diferentes quesitos, normalmente alinhados às diretrizes da organização. 

Para quem deseja fazer uma autoanálise, na tentativa particular de descobrir se o trabalho gera mais emoções positivas do que negativas, vale observar os seguintes aspectos, seguindo os blocos de construção de felicidade e bem-estar da Psicologia Positiva: 

Além de refletir se o trabalho combina com a personalidade, é muito importante considerar se os valores da empresa coincidem com as convicções pessoais. 

A missão da organização é significativa para você? A atividade realizada contribui positivamente para isso? As práticas internas são éticas? Estar na organização traz um senso de responsabilidade e propósito? Você se sente respeitado como profissional e como ser humano?

Também deve ser observado se a atividade desempenhada no serviço condiz com habilidades e aspirações individuais. A sua função atual permite, por exemplo, que você coloque em prática todo o seu talento? 

Outras perguntas a serem feitas são: as tarefas são sempre as mesmas ou há desafios? Você tem autonomia ou uma rotina engessada e tediosa? Suas ideias são levadas em consideração? Há espaço para inovação? 

No que diz respeito ao salário e aos benefícios oferecidos, a primeira coisa a se pensar é se a remuneração final é suficiente para garantir, além do sustento, bem-estar. Também vale avaliar se o valor no contracheque é justo em relação às atividades desempenhadas e se gera a sensação de segurança financeira. 

Se você ainda está longe de receber o que gostaria, outro ponto para ponderar é se há possibilidade de ganhar mais, por meio de uma promoção. Como você se sente em relação a isso: estimulado ou desanimado?

Sobre as relações no trabalho, a dica é avaliar se o ambiente é competitivo ou colaborativo. Há mais hostilidade do que empatia entre os integrantes do time? Você se sente parte importante do grupo? O chefe te inspira e te motiva ou apenas cobra e pressiona? Você é tratado como parceiro ou como só mais uma peça na engrenagem? 

E algumas das perguntas mais importantes a serem feitas dizem respeito ao equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho. A jornada diária permite que você tenha tempo para a família ou para cuidar de si? Há sobrecarga de trabalho? Você consegue se desligar ou há excesso de engajamento? Como isso afeta a sua saúde?

Ao pensar sobre todas essas questões, vale analisar os sentimentos associados, como alegria, raiva, empolgação, tédio, solidão, confiança, medo, exclusão, ansiedade e realização. Quanto mais emoções positivas, maior o nível de felicidade no trabalho. 


Porque plano de saúde já não é mais suficiente.

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