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Sedentarismo infantil: como estimular a criança a se movimentar?

criança dançando ballet

Dizer que as crianças têm energia de sobra não é só força de expressão. É fato! Na infância, os músculos são resistentes ao cansaço e se recuperam mais rápido de atividades de alta intensidade.

Segundo um estudo sobre o tema, os pequenos chegam a ter níveis de energia maiores do que os de atletas adultos bem treinados.

Com todo esse potencial, é muito importante que a criançada esteja sempre em movimento. Esportes, brincadeiras e outras ações recreativas contribuem para o desenvolvimento integral da criança e ajudam a prevenir a obesidade infantil. 

Para espantar a preguiça e estimular a prática de atividade física desde cedo, pais e cuidadores podem usar algumas estratégias.  

O que é sedentarismo infantil?

O sedentarismo infantil é caracterizado pela ausência de exercício físico regular e por longos períodos de pouquíssimo movimento físico. 

O Guia de Atividade Física para a População Brasileira recomenda pelo menos três horas de atividades físicas diárias para crianças de um a cinco anos. A partir dos seis anos, é indicada uma hora ou mais, o que pode ocorrer em períodos fracionados. 

As crianças consideradas sedentárias não seguem esses parâmetros e ficam muito tempo sentadas ou deitadas. 

O comportamento passivo costuma ser associado ao uso de telas para navegar na internet, assistir vídeos ou se entreter com jogos eletrônicos. 

Vale lembrar que, durante a pandemia, a exposição às telas digitais cresceu muito, principalmente entre crianças e jovens. Os dispositivos eletrônicos passaram a ser usados para quase tudo, incluindo as aulas on-line. 

Pesquisa anterior ao surgimento do coronavírus, porém, mostrou que crianças com diferentes níveis de movimento físico apresentavam tempo semelhante de uso desses aparelhos. 

A conclusão foi de que “longos períodos de sedentarismo em crianças não se devem apenas ao uso de telas digitais”.

Um estudo realizado na Holanda obteve pistas de outros fatores que levam os pequenos a ficarem muito tempo parados. 

Quando perguntados por que permaneciam sentados durante uma determinada atividade, alguns alunos disseram que era “o costume/a norma/eu tenho que..” ou que era “melhor assim”. 

Outras justificativas mencionadas com frequência foram “não tem ninguém para brincar”, “não tem nada para fazer” e “quero relaxar/descansar”. 

A principal conclusão foi de que o comportamento das crianças sofre muita influência do ambiente em que estão inseridas.

Tanto na escola quanto em casa é preciso haver estímulos e também exemplos que inspirem uma postura mais ativa. 

Hábitos para incorporar na rotina

Para que a criança goste de praticar atividade física e aproveite todas as oportunidades possíveis de se movimentar, pais e cuidadores precisam incorporar hábitos à rotina. 

Segundo o preparador físico Rafael Briet, da comunidade de saúde da Alice, o aumento de atividades físicas entre as crianças ocorre com a promoção de uma cultura corporal de movimento, que está diretamente relacionada a jogos, brincadeiras, esportes, danças, práticas naturais, entre outras. 

“Essas atividades envolvem movimentos aeróbicos, como por exemplo corrida durante uma brincadeira de pega-pega, e de força, como escalar uma árvore ou arremessar uma bola. Serão benéficas para o desenvolvimento das capacidades físicas – velocidade, força, flexibilidade, agilidade, etc – e habilidades motoras fundamentais”, ensina.

Para que a criança tenha em quem se espelhar, é fundamental que os pais adquiram consciência da relevância da prática de atividade física para a saúde e que deem o exemplo, fazendo exercícios ou esportes regularmente. 

Conversar continuamente com o filho ou filha sobre os benefícios das atividades também é importante. 

Mas não precisa ser uma pregação ou aula de biologia! A ideia é que, ao falarem sobre o assunto, possam valorizar as habilidades que estão sendo desenvolvidas, a diversão do momento e outros aspectos que aumentem a autoestima da criança.   

Benefícios da atividade física para a saúde das crianças

  • Desenvolvimento de habilidades psicomotoras
  • Melhora do sono
  • Desenvolvimento ósseo e muscular
  • Assimilação de comportamentos saudáveis
  • Diversão com amigos e família
  • Aumento de autoestima
  • Maior rendimento escolar
  • Prevenção do sedentarismo
  • Redução da obesidade infantil

Ela provavelmente ficará confiante se fizer um esporte para o qual tenha mais aptidão. Por essa perspectiva, a dica é procurar uma modalidade que se adeque ao perfil da criança.

Existem dezenas de opções! Só nas olimpíadas são 46 esportes, incluindo modalidades aquáticas, com bola, em tatames, ao ar livre, entre outras.

E muitas atividades podem ser praticadas em família. Que tal levar o seu pequeno para pedalar no parque como parceiro no ciclismo? Ou então comprar raquetes e peteca para formarem uma dupla de badminton?

Outra estratégia para envolver as crianças nos esportes é buscar alternativas na comunidade. Os moradores do condomínio querem contratar um professor de judô? Por que não se juntar ao grupo? 

Alguns amigos do seu filho estão empolgados com as aulas de capoeira extraclasse oferecidas na escola? Então que tal propor à criança fazer uma sessão experimental e ainda se divertir com a galerinha? 

Vale pensar também em participar de ações recreativas oferecidas em espaços de lazer. Parques, clubes e shoppings frequentemente disponibilizam brinquedos infláveis gigantes, piscinas de bolinhas e camas elásticas. 

Transforme o passeio até esses lugares em oportunidade para que a garotada possa se mexer e se divertir!

Se for comprar brinquedos, prefira os que estimulam movimentos. “Para crianças a partir de 3 anos, pode ser bicicleta, patins, patinete ou skate. Para as crianças e adolescentes que gostam de tecnologia, existem jogos de videogame e celular que promovem o movimento e são benéficos para a manutenção da atividade física”, destaca o preparador físico Rafael Briet.  

Exercite a criatividade no dia a dia 

Na infância, as crianças adoram ficar perto dos pais para receber atenção e carinho. Quanto mais tempo juntos, mais vínculos e memórias afetivas são criados. 

Algumas dessas lembranças podem ser de momentos de interação. A dica para os adultos é participar das brincadeiras, sempre que possível. Dá até para misturar movimento físico com arte.

Com pratos descartáveis e rolos grandes de papelão, por exemplo, é possível construir raquetes para “jogar frescobol” com balões de ar. Assim, os esportes podem ser imitados em jogos lúdicos.

Outra ideia é encher os balões com água para brincar de pólo aquático na piscina ou simular arremesso de peso para ver quem consegue jogar as bexigas mais longe na grama, sem estourar.  

Inspirados em treinamentos funcionais, os pais podem criar uma espécie de “corrida maluca”. O circuito poderia incluir colocar num cesto sapatos espalhados pelo chão, dar três cambalhotas no tapete até chegar ao sofá, pular sobre almofadas até o canto da sala, pegar uma bola e derrubar uma fileira de brinquedos.

É só usar a imaginação! Isso vale também para incluir mais movimento no dia a dia da criança! Você acha que o seu filho precisa ganhar força? Chame-o para ajudar a carregar as compras ou retirar o lixo (sem exageros, claro). 

Sua filha está acima do peso? Que tal vasculhar uns vídeos na internet que ensinem coreografias dos grupos que ela gosta e colocar a família toda para dançar? A atividade vai ajudar a perder calorias e render boas risadas. 

Outra estratégia é criar desafios com recompensas. Vocês podem estabelecer metas para cada integrante da família, incluindo: subir até o apartamento de escada pelo menos uma vez por dia, não usar o celular durante as refeições, ficar longe das telas em determinado horário, rodízio para descer com o cachorro e caminhar pelas redondezas. 

Se todos cumprirem o combinado, o prêmio para o grupo pode ser um passeio cultural ou uma viagem de fim de semana. São inúmeras as possibilidades de objetivos e de recompensas!

Mas os principais ganhos para a criança serão maior conscientização sobre o corpo, ampliação do sentimento de pertencimento à família e, claro, mais saúde!

Como estimular as crianças a praticarem atividade física?

  1. Dê o exemplo e faça exercícios físicos com regularidade
  2. Converse com a criança sobre os benefícios das atividades para a saúde
  3. Procure uma modalidade que se adeque ao perfil da criança
  4. Considere praticar atividades físicas em família ou na comunidade
  5. Leve a criança para participar de ações recreativas em espaços de lazer
  6. Ao comprar brinquedos, dê preferência aos que estimulam o movimento
  7. Crie brincadeiras que imitem esportes
  8. Inclua mais passos e mais esforço em situações da rotina diária
  9. Lance desafios, com recompensas para toda a família
  10. Combine períodos para que todos da casa fiquem longe das telas

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Porque plano de saúde já não é mais suficiente.

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