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Puberdade precoce: saiba o que é e como ajudar

Antecipação de transformações do corpo pode afetar a saúde e a autoestima; casos podem ter crescido na pandemia de covid.

Ilustração mostra vulcão em erupção

Na adolescência, os hormônios estão a todo vapor e modificam a aparência física para possibilitar a transição entre a infância e a vida adulta. 

O início dessa fase é chamado de puberdade, marcada principalmente pelo aparecimento dos seios nas meninas (broto mamário) e pelo aumento do pênis e dos testículos nos garotos. 

No período, também surgem pêlos na região íntima e nas axilas. Ocorre ainda a maturação óssea e a aceleração do crescimento.

As alterações no organismo desencadeiam um processo de ressignificação da própria imagem, o que pode causar insegurança e ansiedade. 

Se essas mudanças ocorrem antes do esperado, podem afetar ainda mais a autoestima. Na puberdade precoce, a criança passa por uma antecipação de vivências e precisa ser apoiada para se manter saudável e feliz. 

Puberdade precoce: o que é? 

A puberdade precoce ocorre quando os sinais de desenvolvimento e maturação sexual aparecem antes dos oito anos para as meninas e antes dos nove anos para os meninos. 

No gênero feminino, o primeiro sinal de início da puberdade é o broto mamário (telarca). A primeira menstruação (menarca) normalmente ocorre dois anos depois, mas pode vir antes desse intervalo.

Já entre os garotos, o aumento testicular costuma indicar o começo da puberdade.

Estima-se que a prevalência de puberdade precoce seja de 0,2% a 2%, dependendo da população estudada, com variações étnicas. 

A maioria dos casos diagnosticados ocorre em meninas. Algumas pesquisas sugerem que pode ter havido mais casos de puberdade precoce durante a pandemia da covid-19. 

Causas da puberdade precoce

Em meninas, 90% dos casos de puberdade precoce não têm causa definida. Nos meninos, em dois terços dos casos pode haver algum distúrbio ou doença associada. 

Estudos indicam que fatores comportamentais e ambientais podem contribuir para a antecipação da maturação física e sexual, o que explicaria o maior número de diagnósticos durante a pandemia.

Entre as principais causas, estariam o sedentarismo por uso excessivo de telas e o ganho de peso. 

“A alimentação inadequada, especialmente à base de fast food e alimentos ultraprocessados, está associada ao aumento da obesidade infantil, avanço de idade óssea e maior chance de puberdade precoce ou antecipada”, afirma a médica endocrinologista Larissa Curiati, da Comunidade de Saúde da Alice. 

A profissional explica que no ambiente há diversos disruptores endócrinos capazes de interferir na ação hormonal do organismo. Muitos deles são substâncias químicas presentes em produtos utilizados no cotidiano (artigos de higiene pessoal, recipientes de alimentos, peças do vestuário, materiais eletrônicos) ou que são misturadas à água ou aos alimentos (como os pesticidas). Também podem agir pelo ar ou em contato com a pele. 

Os fitoestrógenos, substâncias produzidas naturalmente por plantas e encontradas principalmente na soja, são considerados potenciais desreguladores endócrinos. 

“A relação do consumo de soja com puberdade precoce em ambos os sexos e ginecomastia [inchaço nas mamas] em meninos ainda é controversa na literatura. O que se sabe é que a soja contém fitoestrógenos que, quando consumidos em quantidades excessivas e por período prolongado, podem apresentar algum efeito estrogênico [ação do hormônio estrogênio, preponderante em mulheres] no organismo”, esclarece Curiati. 

Para tentar evitar a ação desses disruptores, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, entre outras medidas:

  • Deixar os sapatos do lado de fora de casa e lavar as mãos com frequência;
  • Dar preferência aos alimentos orgânicos livres de agrotóxicos;
  • Lavar e higienizar corretamente frutas e legumes;
  • Priorizar comida caseira e reduzir a quantidade de fast food e alimentos processados;
  • Evitar ingestão de peixes de água doce e frutos do mar sem saber a procedência;
  • Dar preferência a recipientes de vidro, aço inoxidável e porcelana;
  • Não aquecer potes de plástico no micro-ondas;
  • Evitar o consumo de bebidas quentes em recipientes plásticos;
  • Fornecer às crianças somente brinquedos com o selo do Inmetro;
  • Dar preferência aos produtos de higiene pessoal (cremes, desodorantes, protetores
  • solares) sem parabenos;
  • Evitar o uso de cosméticos (maquiagem e esmaltes) e observar a composição dos produtos voltados ao público infantil. 

Esses cuidados podem ajudar a prevenir a puberdade precoce ou a estagná-la. 

“O importante é manter um estilo de vida saudável, com prática de atividade física regular, alimentação saudável, peso e índice de massa corporal adequados, e redução da exposição ao estresse e aos disruptores endócrinos”, destaca a endocrinologista Larissa Curiati. 

Como lidar com a puberdade precoce

A avaliação da puberdade precoce pode envolver exames clínicos, de sangue e de imagem. Para detectar os primeiros sinais e chegar a um diagnóstico preciso, é muito importante que a criança passe periodicamente por avaliação médica.

Com uma análise multidisciplinar, é possível esclarecer dúvidas e determinar o melhor tratamento. Isso porque, além de afetar o crescimento (altura), a antecipação da puberdade é considerada fator de risco para o desenvolvimento de determinadas doenças no futuro. 

Quando necessários, medicamentos com ação hormonal podem ser usados para desacelerar o amadurecimento físico. Também podem ser recomendadas mudanças na rotina e a adoção de novos hábitos (alimentação balanceada, prática de exercícios físicos, adequação do sono, menor exposição a telas).

Durante todo esse processo, é fundamental que a criança encontre apoio psicológico para lidar com as alterações físicas e as mudanças comportamentais típicas da adolescência, como variações de humor e curiosidade sexual. 

Pesquisadores acreditam que, do ponto de vista psíquico, pode haver um processo de luto pela perda da infância e insegurança diante das novas experiências para as quais a criança ainda não se vê totalmente preparada. 

Também podem ocorrer comparações constantes entre as características físicas e a idade cronológica, tanto pela criança, quanto pelos colegas, inibindo as interações sociais. Por isso, cuidadores e professores devem ficar atentos para que não haja isolamento nem bullying. 

Veja algumas dicas para mães e pais ajudarem a criança a lidar com a puberdade precoce:

  • Converse honestamente sobre o que está ocorrendo no corpo da criança;
  • Explique que a puberdade se iniciou antes, mas chega para todos; 
  • Incentive a criança a se aceitar e a valorizar as qualidades que possui;
  • Para aumentar a autoestima, dê feedbacks positivos e contraponha comentários negativos que ela possa ter ouvido; 
  • Tente estabelecer um diálogo aberto sobre comportamentos, valores e escolhas;
  • Coloque-se à disposição para esclarecer dúvidas, inclusive as de cunho sexual, e fale dos assuntos com naturalidade;
  • Incentive a criança a falar dos sentimentos e a perceber que todos passam por mudanças, dilemas e desafios;
  • Oriente sobre medidas de autocuidado (uso de absorventes, desodorante etc.);
  • Para ficar mais confortável com o corpo, saia com ela para comprar novas roupas, acessórios e produtos de higiene, se puder;
  • Use livros e filmes para falar sobre as mudanças no corpo e na mente;
  • Incentive a participação em atividades que possam aumentar a autoestima (esportes, artes, oficinas, lazer);
  • Caso a criança não queria se abrir, procure apoio profissional de um psicólogo. 

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