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Mulheres na Ciência: 11 histórias de profissionais para você se inspirar

mulheres na ciencia

A pesquisa é um espaço que instiga a descoberta do novo com o propósito de fazer a diferença na sociedade. Por meio da ciência, seja ela social, exata ou biológica, os profissionais buscam compreender as questões do nosso tempo, ou aprender com o passado, para entender as nossas necessidades. 

Mas e quando esse espaço não tem acesso liberado por conta do seu gênero, por exemplo, o que pode ser feito? 

A presença de mulheres na ciência, principalmente em áreas relacionadas à saúde, por algum tempo, foi bastante limitada.

Ainda hoje, a desigualdade de gênero na pesquisa e na produção de conhecimento assusta: de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco), apenas 30% dos cientistas do mundo se identificam com o gênero feminino. 

É justamente por isso que, neste Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, te convidamos a olhar para o passado e reconhecer o nosso presente para reverenciar 11 profissionais que construíram um legado transformador por meio de seus trabalhos.

Fotos de Mamie Phipps Clark, Ester Sabino e Rita Lobato Velho Lopes
Fotos de Mamie Phipps Clark, Ester Sabino e Rita Lobato Velho Lopes

Mamie Phipps Clark

Antes de se tornar a primeira mulher afro-americana com doutorado em psicologia pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Mamie Phipps Clark, nascida em outubro de 1917, em Hot Spring, foi afetada pelo acesso desigual à educação. 

Do ensino básico ao médio, Clark estudou em escolas segregadas, que separavam alunos negros dos brancos. No ensino superior, Mamie conquistou uma bolsa para estudar matemática e física na Universidade de Howard.

Por outro lado, o amor também se fez presente naquele lugar, já que a pesquisadora conheceu Kenneth B. Clark, estudante de mestrado em psicologia que se tornou seu marido e pai dos seus filhos, Kate e Hilton.

Kenneth foi o responsável por apresentar Mamie à psicologia. Assim como o marido, a cientista concluiu o bacharelado e mestrado na área.

A pesquisa que cravou o nome Clark na história da ciência nasceu da sua tese de mestrado. Nela, a pesquisadora analisou o impacto da representatividade em brinquedos utilizados por crianças negras na fase da pré-escola. 

Para entender a relação, alunos negros foram apresentados a duas bonecas idênticas, sendo uma branca e outra negra.

A preferência entre a representação branca fez com que a pesquisadora apontasse que as crianças “tornaram-se conscientes de sua identidade racial por volta dos três anos de idade e – simultaneamente com sua consciência da identidade racial – adquiriram uma autoimagem negativa.”

O experimento social proporcionou resultados que ultrapassaram o espaço acadêmico, como a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso Brown v. Board of Education of Topeka, em 1954.

Nessa ocasião, os juízes passaram a considerar inconstitucional as divisões raciais de estudantes brancos e negros nas escolas públicas do país. Além disso, em 1951, após a provocação de Mamie, a Sara Lee, primeira boneca negra produzida em larga escala, ganhou as prateleiras das lojas dos EUA. 

A pesquisa do mestrado de Clark foi aprofundada em seu PhD na Universidade de Columbia.

Ao lado de Kenneth, o estudo voltado para o acompanhamento psicológico de crianças que pertencem a grupos minoritários ganhou mais um braço, o Centro de Desenvolvimento Infantil de Northside, que oferecia serviços psicológicos e de assistência social às famílias do Harlem, bairro de Nova York. 

Em 11 de agosto de 1983, a especialista morreu dentro de sua casa em Nova Iorque, mas seu legado segue atual e necessário não só na psicologia, como na noção de igualdade racial da sociedade como um todo.

Ester Sabino

Após 48 horas da confirmação dos  primeiros casos de covid-19 em São Paulo, a equipe liderada pela médica e imunologista Ester Sabino, da Universidade de São Paulo (USP) junto aos pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, já havia publicado os genomas completos dos vírus que foram identificados nos pacientes. 

O profissionalismo de Ester e da sua equipe de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Adolfo Lutz garantiu passos largos e urgentes na corrida pela vida durante a pandemia. O mapeamento ágil do vírus impactou no tempo que a vacina chegou no braço, nas possibilidades de tratamento e na forma de testagem, por exemplo. 

Ester nasceu em São Paulo, em 1960, onde também concentrou seus estudos. Na USP, em 1984, ela se formou em medicina e, na sequência, fez doutorado na instituição em imunologia.

Atualmente, a profissional trabalha como professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e é pesquisadora do Laboratório de Parasitologia Médica. Além do coronavírus, Ester dedica as suas pesquisas a outras doenças, como a de Chagas e anemia falciforme.

Em março de 2021, a cientista teve o seu trabalho reconhecido e homenageado pelo Conselho Universitário da USP, que concedeu à pesquisadora a maior honraria da instituição, a medalha Armando de Salles Oliveira. 

Além disso, em 2022, uma nova premiação voltada para as mulheres na ciência foi criada com o nome da professora.

Criado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo e Academia de Ciências do Estado de São Paulo, o Prêmio Ester Sabino vai homenagear as profissionais nas categorias de pesquisadoras sênior e júnior.

Rita Lobato Velho Lopes

Foi ao acompanhar a morte da mãe no parto do seu irmão que Rita Lobato Velho Lopes decidiu estudar medicina. O detalhe é que, na época, nenhuma outra mulher havia se formado na área no Brasil, mas isso não foi impeditivo para ela, como consta nos registros da Universidade Federal da Bahia

Nascida na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, em 1866, Rita Lobato teve a oportunidade de estudar em escolas renomadas.

No entanto, toda a dedicação de Rita para realizar o seu sonho, que também era de sua mãe, só foi possível por conta de um decreto assinado por Dom Pedro II, em 1879, que proibia que mulheres fossem discriminadas no ensino superior. 

Com isso, o seu pai, Francisco Lobato Lopes, mudou-se para o Rio de Janeiro com os 13 filhos. Em 1884, ele matriculou Rita Lobato e seu outro filho, Antônio, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

A instituição precisou ser abandonada por eles após um conflito entre Antônio com a direção. Os irmãos se mudaram para a Bahia, onde deram continuidade aos estudos na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. 

Por conta do bom desempenho, Rita reduziu o período de seis anos de duração para três e concluiu o curso com a tese “Paralelo entre os métodos preconizados na operação cesariana”.

Como aponta o livro “Matris Anima Curant: as pioneiras médicas, Maria Augusta Estrela e Rita Lobato”, de Yvonne Capuando, a  escolha do tema gerou desconforto na classe médica que seguia uma linha mais conservador e desconsiderava a relação das pacientes mulheres com o próprio corpo.

No entanto, a pesquisadora defendia a sua linha de estudo e atendimento. 

Rita dedicou sua vida à medicina, atendendo pacientes em consultas particulares, mas também gratuitas para as que não tinham condições financeiras.

Em 1925, ela decidiu aposentar-se e, um ano depois, o seu marido faleceu.

Nesta mesma época, a pesquisadora se aproximou do movimento feminista, da luta pelo direito das mulheres ao voto e, posteriormente, da política partidária.

Em 1934, a médica foi eleita a primeira mulher vereadora de Rio Pardo, mas teve seu mandato interrompido pelo Estado Novo de Getúlio Vargas. A médica faleceu em 1954 aos 87 anos de idade.

Fotos de Françoise Barré-Sinoussi, Nise da Silveira e Ana Néri
Fotos de Françoise Barré-Sinoussi, Nise da Silveira e Ana Néri

Françoise Barré-Sinoussi

A parisiense Françoise Barré-Sinoussi já sinalizava seu interesse pela ciência ainda na infância, quando passava horas analisando o comportamento de insetos e animais.

No momento de ingressar na faculdade, o curso de medicina era sua primeira escolha, mas o receio do investimento financeiro e de tempo a afastou dessa decisão, como explicou em entrevista ao Prêmio Nobel, em 2008. Para sorte da ciência biológica, Barré-Sinoussi optou por sua segunda opção.

No segundo ano da universidade, em 1970, Barré-Sinoussi foi aceita no Instituto Pasteur e tornou-se PhD em 1975, mesma época em que passou a dedicar grande parte do seu estudo para o retrovírus, grupo de vírus de RNA que, quando replicados, formam o DNA.

Em 1983, ao lado do cientista Luc Montaigner, a virologista descobriu o HIV, que ainda não recebia esse nome. Com o seu próprio laboratório no Instituto Pasteur, Barré-Sinoussi ganhou cada vez mais relevância com a sua contribuição para a comunidade científica mundial no combate à AIDS. 

Com a nomeação para integrar a Academia Francesa de Ciências e a presidência da Sociedade Internacional de AIDS, a virologista se aposentou em 2017. O seu trabalho segue como referência e eternizado pelo Prêmio Nobel de Medicina.

Nise da Silveira

Filha de uma pianista e um matemático, Nise da Silveira trilhou um caminho de referência  na psiquiatria. A alagoana, nascida em 1906, teve uma vivência solitária do ponto de vista de gênero na Faculdade de Medicina da Bahia, em 1921. Dos 158 alunos, Nise era a única mulher, o que não fez a pesquisadora esmorecer. 

Após a faculdade, Nise passou em um concurso público do Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental do Hospital da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.

A oportunidade, no entanto, foi cenário de um grande conflito na vida da médica. Nise acabou sendo presa após uma enfermeira denunciar a presença de um livro de Karl Marx em sua mesa. O objeto de estudo foi rotulado como ameaça comunista.

Segundo livro “Mania de Liberdade”, de Felipe Magaldi, Nise passou mais de um ano no presídio Frei Caneca, onde a psiquiatra acabou conhecendo Olga Benário e Graciliano Ramos, que a mencionou em seu livro “Memórias do Cárcere”.

Apenas em 1944, Nise pôde retomar suas atividades, desta vez, no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro.

O retorno aos atendimentos acentuou a batalha que a psiquiatra travava pelo respeito aos pacientes, ou seja, choques elétricos e outras formas violentas inseridas no tratamento eram repudiadas por Nise. 

No lugar delas, a pesquisadora defendia a aplicação da terapia ocupacional, que ganhou uma sessão exclusiva na instituição em 1946.

Neste tipo de terapia, os pacientes se expressavam por meio da arte com pincéis e tintas. A criatividade tornou-se remédio nos ateliês terapêuticos ministrados por Nise, que subvertiam a dinâmica opressora dos antigos manicômios. 

As transformações lideradas pela psiquiatra não cessaram. Em 1952, ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro, para concentrar a produção científica e preservar obras feitas pelos seus pacientes.

Quatro anos depois, a pesquisadora inaugurou a Casa das Palmeiras, espaço voltado para a reabilitação de pacientes das antigas instituições psiquiátricas.

Em sua trajetória, Nise ainda foi pioneira na inserção de cuidados com animais no tratamento de pacientes com transtornos psíquicos. A psiquiatra faleceu em 1999, aos 94 anos, e segue sendo um nome expoente no cuidado humanizado.

Ana Néri

A convocação de seus filhos, sendo dois médicos e um oficial do exército, para atuarem pelo Brasil na Guerra do Paraguai foi motivo de angústia para a baiana Ana Néri. Aos 29 anos, ela já era viúva e cuidava sozinha dos meninos. 

Por isso, não pensou duas vezes e escreveu uma carta para o presidente da Província da Bahia, o conselheiro Manuel Pinho de Sousa Dantas, colocando-se à disposição para ajudar nos cuidados dos feridos.

Pedido aceito, em 1865, Ana viajou para o Rio Grande do Sul para se preparar com as irmãs da instituição de São Vicente de Paulo. Aos 51 anos, ela passou a fazer parte do Décimo Batalhão de Voluntários e atendeu mais de seis mil soldados internados com a ajuda de algumas freiras vicentinas. 

Driblando a escassez de itens básicos de higiene e primeiros-socorros, Ana ainda teve que lidar com a morte de um de seus filhos, Justiniano. 

Considerada a primeira enfermeira do Brasil, Ana faleceu no Rio de Janeiro, no dia 20 de maio de 1880. A data da sua morte foi escolhida para homenagear o Dia do Enfermeiro. Além disso, o nome da profissional é usado na primeira escola oficial de enfermagem do Brasil.

Fotos de Marie Curie, Caroline Apovian e Maria Augusta Generoso Estrela
Fotos de Marie Curie, Caroline Apovian e Maria Augusta Generoso Estrela

Marie Curie 

No século XIX, Marie Curie ganhou duas vezes o Prêmio Nobel na área da Física e da Química, feito inédito até hoje.

Mas o caminho até esses reconhecimentos foi sinuoso. Filha de professores que esbarravam em dificuldades financeiras na Polônia, segundo informações do Instituto Americano de Física, Marie precisou de muito trabalho para conseguir ingressar na faculdade, que na época era proibida para mulheres em seu país.

Foi somente em 1881 que a jovem finalmente teve condições de viajar à França para começar o curso de física, química e matemática na Universidade de Paris.

A partir de suas pesquisas, a cientista cunhou o termo e desenvolveu a ideia de “radioatividade”; identificou dois elementos químicos, o polônio (em homenagem ao seu país) e o rádio e desenhou técnicas para isolar o átomo isótopo radioativo.

Esse último, inclusive, foi usado como base nos estudos do tratamento de neoplasias, condição que causa o surgimento de tecido anormal em regiões do corpo humano.

Ao lado do parceiro acadêmico e marido, Pierre Currie, Marie conquistou o Prêmio Nobel de Física em 1903.

Os dois ainda fundaram o Instituto Curie em Paris e um braço em Varsóvia, centros de pesquisa renomados até os dias de hoje. Em 1911, ela ainda conquistou mais um Nobel, mas desta vez de Quimíca, ao lado do físico Henri Becquerel. 

Marie é a primeira pessoa na história da condecoração a receber duas vezes o prêmio e a única a ganhar em campos científicos distintos. 

Durante a Primeira Guerra Mundial, a cientista desenvolveu equipamentos de radiografia móveis para facilitar o atendimento nas tendas. Em 1934, aos 66 anos, Marie faleceu de anemia aplástica, quadro desenvolvido pela intensa exposição à radiação ao longo do seu estudo.

Caroline Apovian

Já são 10 livros e mais de 200 artigos assinados pela norte-americana Caroline Apovian, que tem passagem acadêmica pela Faculdade Barnard e Escola de Medicina de New Jersey, nos Estados Unidos.

A professora e diretora do Centro de Nutrição e Controle de Peso do Boston Medical Center é referência há mais de três décadas no estudo da obesidade e nutrição.

Atualmente, a pesquisadora foca seu interesse acadêmico no impacto da mudança de peso no metabolismo e no tecido adiposo, nas doenças cardiovasculares, no acompanhamento dos pacientes que passaram por cirurgia bariátrica e no tratamento da obesidade para população em vulnerabilidade social.

Esse último item foi inserido por Caroline no Centro de Nutrição e Controle de Peso após assumir a direção. A professora defende que, independente de etnia e classe socioeconômica, pessoas obesas têm o direito de receber atendimento de qualidade.

Em seus artigos, Apovian aponta caminhos práticos e acessíveis para as pessoas encontrarem mais qualidade de vida e prevenção de doenças por meio da alimentação

A médica ainda fundou o Conselho Americano de Medicina da Obesidade, que é responsável por certificar e treinar especialistas.

Maria Augusta Generoso Estrela

A coragem e o ímpeto de salvar as pessoas acompanhavam a carioca Maria Augusta Generoso Estrela desde sua adolescência, conforme é revelado em sua biografia no site da Academia de Medicina de São Paulo.

Aos 13 anos, em 1873, depois de um semestre de estudo em Portugal, o navio Flamsteed que a trazia de volta ao Brasil sofreu uma grave colisão no trajeto.

Maria Augusta conseguiu sair ilesa graças à sua inquietação na hora, que também foi responsável por fazer o capitão pedir socorro à navegação e garantir o resgate de todos. A atitude da jovem gerou grandes homenagens a ela na época por meio da marinha inglesa e brasileira.

De volta ao Brasil, Maria Augusta encontrou nas folhas de um jornal uma nova possibilidade para desbravar: o estudo da medicina, que naquele período era proibido para uma mulher. A saída foi pedir ao pai, Albino Augusto Generoso, que era um rico comerciante, para estudar em Nova Iorque, nos Estados Unidos. 

O pedido foi atendido, só que Maria Augusta ainda não tinha a idade mínima de 18 anos para ser matriculada.

Foi necessário muita conversa com a Faculdade de Medicina de Nova Iorque e Hospital da Mulher para o ingresso da jovem ser realizado, em 1876. Nesse período, o imperador Dom Pedro II ainda concedeu uma bolsa para garantir as despesas da estudante após o comércio do seu pai quebrar.

Reconhecida como a melhor aluna da turma, a médica ganhou experiência profissional nos EUA e fundou o jornal “A Mulher” com outra brasileira que seguiu seus passos na mesma faculdade, a Josefa Agueda Felisbella Mercedes de Oliveira. A publicação produzia conteúdo voltado aos direitos e interesses das mulheres brasileiras.

Em 1882, restabelecida no Brasil, a médica pôde ver com os próprios olhos a transformação que promoveu na medicina ao se tornar a primeira mulher brasileira graduada na área em Nova Iorque. Naquele ano, o Brasil já aceitava que as estudantes fossem matriculadas no curso.

A médica casou-se com o farmacêutico Antonio Costa Moraes, com quem teve cinco filhos. O alagoano não apoiava por completo a esposa. No entanto, Maria Augusta não abriu mão da sua missão e, mesmo reduzindo o fluxo de trabalho para cuidar dos filhos, era consultada em casos de alta complexidade.

A médica, que dá o nome a 64ª cadeira da Academia de Medicina de São Paulo, morreu em 1946, aos 86 anos.

Fotos de Wanda Horta e Maria Lenk
Fotos de Wanda Horta e Maria Lenk

Wanda Horta

Humanização. Wanda Horta aplicou esse conceito com maestria na enfermagem.

Nascida no Pará, em 1926, a profissional foi para o Paraná aos 10 anos. Em Ponta Grossa, ela concluiu os estudos e entrou em um curso técnico de Medicina. Wanda tentou integrar a equipe da Cruz Vermelha na Segunda Guerra Mundial, mas não foi aceita. 

Após esse episódio, mudou-se para Curitiba em busca de trabalho e emprego até que, em 1945, ganhou uma bolsa de estudos para ingressar no ensino superior no curso de Enfermagem na Universidade de São Paulo. 

Formada, Wanda passou a integrar uma equipe multidisciplinar em Santarém, que dedicava os seus esforços à saúde da população que vivia na Amazônia. Nessa época, os profissionais de enfermagem questionavam a falta de autonomia para exercer o trabalho, conforme pesquisas acadêmicas apontam

Com isso, a enfermeira se formou em biologia para embasar ainda mais seus conhecimentos e, assim, criar um marco teórico na formação dos profissionais dessa categoria. 

Para a pesquisadora, a enfermagem poderia ser definida como “gente que cuida de gente”, por isso era preciso entender a complexidade e camadas, incluindo as emocionais, dos pacientes – para além das enfermidades.

A profissional voltou para a sala de aula como professora, em 1958, na Escola de Enfermagem, e aluna da especialização em Pedagogia e Didática Aplicadas à Enfermagem.

As teorias levantadas em seus estudos foram disseminadas na revista “Enfermagem em Novas Dimensões”, publicação criada por Wanda, e no livro “Processo De Enfermagem”.

Na obra, a enfermeira registrou por completo sua “Teoria de Enfermagem das Necessidades Humanas Básicas”, e está presente na grade curricular do curso até os dias de hoje.

Mesmo acometida por uma esclerose múltipla dos órgãos, Wanda trabalhou até o fim da vida. Precoce, a enfermeira morreu aos 54 anos, em 1981.

Maria Lenk 

Com uma trajetória marcada e reconhecida pelo pioneirismo dentro da piscina, a nadadora Maria Lenk também fez história na ciência. Ela nasceu em São Paulo, e foi a primeira mulher sul-americana a competir em uma Olimpíada. 

Os seus pais resolveram fazer a matrícula nas aulas de natação após a menina sofrer com uma pneumonia dupla. Sem piscina disponível na cidade, Lenk deu suas primeiras braçadas aos 10 anos, no Rio Tietê.

A partir dessa aula, a paulistana começou a construir sua carreira como atleta e a conquistar recordes surpreendentes, como na modalidade do nado peito em 1939.

Depois de fazer história nas competições, em 1942, Maria Lenk começou a atuar no magistério.

Como professora, ela foi uma das fundadoras da Faculdade de Educação Física da Universidade do Brasil, hoje conhecida como Universidade Federal do Rio de Janeiro. Novamente, a nadadora foi pioneira, já que se tornou a primeira mulher a dirigir uma faculdade no Brasil.

Os conhecimentos adquiridos dentro e fora da sala de aula foram registrados por Maria Lenk em seu livro “Organização da Educação Física e Desportos”, publicado em 1941. A obra que detalha conceitos sobre a gestão do esporte foi usada como base da disciplina de Administração Esportiva nas faculdades brasileiras.

Nome de premiação, Maria Lenk é unanimidade no quesito referência para atletas e profissionais da Educação Física.

Ela faleceu em 2007 aos 92 anos, mas segue viva por meio de seus estudos e feitos.


Porque plano de saúde já não é mais suficiente.

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